[Crítica] VisionQuest transforma o estranho no fim mais digno para WandaVision

VisionQuest enfim chegou ao Disney+ para encerrar a trilogia da Marvel iniciada em WandaVision. Confira o que achamos!

[Crítica] VisionQuest transforma o estranho no fim mais digno para WandaVision

VisionQuest chega para concluir a trilogia dos Maximoffs iniciada em WandaVision justamente num momento muito estranho e incerto para a Marvel Television.

Afinal, a divisão de séries está cada vez mais independente da Marvel Studios, que agora concentra todos seus esforços em Vingadores: Doutor Destino.

E é curiosa a sensação de desencontro que a série provoca, uma vez que muita coisa mudou na Marvel desde o início da produção. Sendo evidente que VisionQuest é a última grande série do MCU no Disney+, aos moldes das primeiras grandes produções lá em 2021.

A Marvel abandonou essa apresentação de que as séries são importantes para o cânone do MCU, ainda mais nessa Saga do Multiverso. Então, parece que essa série chegou mais tarde do que deveria.

Ainda mais se você não conferiu a ótima Agatha Desde Sempre, essa continuação de WandaVision com certeza poderia ter acontecido antes. Ironicamente, é desse timing de desencontro que vem o grande trunfo da série.

O que mais adequado para uma série desencontrada do que uma trama de busca por identidade e propósito?! O roteiro começa quase que um literal exercício de reflexão sobre como dar protagonismo total ao Visão e tentar reconectá-lo com o público do MCU.

Mas o importante é que esse exercício de reflexão é MUITO bem feito e com uma cautela e ritmo que poucas séries da Marvel tiveram até aqui. Não parece um filme dividido em episódios, mas sim a estrutura e narrativa de uma boa série.

O que se reflete nas longas durações dos episódios, com o final de temporada mais longo do estúdio no streaming. Mostrando que eles aprenderam alguma coisa com o problema de suas séries anteriores, cuja maioria teve um final apressado e decepcionantemente curto.

Outra surpresa positiva está no fato de que a série não faz rodeios em apresentar o Tommy logo de cara. Tal como o Visão Branco busca entender as memórias e vida do Visão antigo, o coração da história também está nessa jornada de aceitação e laços entre pai e filho.

VisionQuest e o reencontro familiar pós-WandaVision

Os dois temas são amarrados com muita honestidade e a dinâmica entre Paul Bettany e Ruaridh Mollica é bem bonita de se acompanhar. Eles constroem muito bem a parte FAMÍLIA da série.

Além do lado família, a série assume a coragem de adaptar uma parte mais maluca e diferente das histórias do Visão e Ultron nos quadrinhos. Principalmente no que diz respeito à JOCASTA.

[Leves spoilers da série a partir daqui. Siga por conta e risco!]

Com as críticas antigas de que a Marvel não aproveitou metade do potencial do Ultron no filme dos Vingadores em 2015, é curioso que o estúdio tenha o trazido de volta e apostado em… sua história de ROMANCE.

A ideia de uma “noiva do Ultron” pode não ser o que muitos esperam, mas é algo totalmente embasado nas HQs e muito bem adaptado. Ainda mais que eles conseguem amarrar todos os personagens e os questionamentos sobre existência, identidade, família e amor.

O Ultron PRECISAVA voltar!

No fim, todos os conceitos conversam entre si e ainda aproveitam para brincar com todas as IAs criadas por Tony Star desde o primeiro filme do Homem de Ferro (2008), o que também nos dá a sensação de buscar lembranças antigas.

Mas ainda sobre o Ultron, por mais estranho que seja seu arco de encontrar o amor, a atuação de James Spader faz valer por tudo. Seu trabalho vocal segue afiadíssimo e a presença do personagem é igualmente ameaçadora e imprevisível, mesmo com o visual humano de meia-idade adotado para o ‘avatar’ do vilão.

É uma das melhores escalações da história do MCU e cada segundo de interação entre Spader e Bettany só confirma o quanto esse retorno foi merecido. Mas pode ficar tranquilo, a volta do Ultron não quebra ou desrespeita o cânone desse universo cinematográfico. Faz todo o sentido.

O humor, na maior parte do tempo, é o elo mais fraco da série. No entanto, não é nada que atrapalhe e somos recompensados com alguns momentos bem violentos e cenas bem legais de ação.

Uma das séries mais bonitas de todo o MCU

Tudo isso somado ao espetáculo visual da série, caprichada em todos os episódios e departamentos. Dos figurinos aos cenários e à fotografia, é visível o quanto se dedicaram para trazer algo bonito.

No fim das contas, VisionQuest consegue transformar o desajeitado e estranho em algo envolvente e 8 episódios que dá gosto de maratonar (que foi o jeito que nós assistimos, mas pode ser ainda melhor para quem assistir semanalmente).

A série demorou a chegar e não é algo que todo mundo havia pedido, mas com um jeito tão feliz de ser HUMANA, que não deixa dúvidas de que é um encerramento digno e honesto para a saga iniciada em WandaVision.

NOTA: 7,5/10

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Elvis de Sá
Elvis de Sá é redator do site Legado da Marvel e apresentador do canal da Legado no YouTube, onde comanda os vídeos sobre o universo Marvel.
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