CRÍTICA | O Espetacular Homem-Aranha 2 (2014)

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Depois do primeiro reboot do Aranha em 2012, não demorou muito tempo para que as pessoas se acostumassem com a nova versão, e surgisse uma considerável fanbase tendo Andrew Garfield como seu Aranha definitivo. E sendo assim, também não demorou muito para vir a sequência que ajudou a aumentar esse amor todo.

 

O segundo capítulo da “história nunca contada” do Cabeça de Teia veio com consideráveis melhoras em relação ao filme de 2012, mas ainda assim sofreu com os velhos conhecidos: Sony e seu exagero. O complexo background, que ninguém queria ver, como a treta entre os pais de Peter e a Oscorp, fica ainda mais presunçoso e afeta diretamente o enredo do filme, como a situação da busca pela cura da doença dos Osborn (nooooooojo), e só deixa ainda mais forçado todo o status de vilania suprema que a companhia teve nesses filmes.

 

 

E como tudo tem que vir da Oscorp e se entrelaçar (porque mais uma vez, PRECISAMOS DE MAIS VILÕES), eis que surge a segunda maior vítima desse filme: Max Dillon e o seu Dr. Manhattan que por algum motivo foi chamado de Electro: mesmo com um visual diferente das HQs (que desagradou muita gente) e uma motivação preguiçosa, nós temos aqui uns belos vislumbres da natureza trágica que cerca a maioria dos vilões do Aranha, e o carisma elevado de Jamie Foxx melhora o personagem, com momentos plenos de “CARAY, COITADO”. O problema, no entanto, não está nele ou no fato de termos outros vilão no filme, mas sim que os dois não tem nenhuma sintonia, e é difícil definir o antagonismo verdadeiro do longa, já que ele tá sempre alternando de uma trama para outra, sem conexões fluídas entre a ameaça do Electro e do Duende Mofado.

 

SIM, Mofado. Porque é a única definição possível para a versão do Duende vivida por Dane DeHaan. Ok que o lance da doença já estava lá desde TASM 1, mas porra, precisava mesmo MATAR NORMAN OSBORN EM SUA PRIMEIRA CENA? LOGO DE CARA? SEM UM BEIJINHO OU CUSPE? Não precisa ser um fanfiqueiro empenhado para desenvolver essa trama de forma que caia no desenrolar mais tradicional dos Osborns e o Duende, e isso chateia, porque mesmo com aquela cara de bicho, eu gostei do Dane no filme, e qualquer visual um pouquinho menos tosco e literal renderia em uma participação ainda mais marcante do grande inimigo do Aranha.

 

 

Mas ok, sendo nós do Legado da Marvel, temos que reconhecer também o Legado de O Espetacular Homem-Aranha 2, já que ele realmente tem coisas boas que dão até certa saudade. Além do uniforme MAIS FODA do Aranha até agora (o de Tom Holland chega perto, beeeeem perto), Garfield está ainda mais solto e confiante no papel, e 100000% mais piadista, do jeitinho que o mundo precisava, tornando essa a aventura mais humorada do Amigo da Vizinhança. E ela funciona ainda mais porque, senhoras e senhores, nós temos a Vencedora do Oscar Emma Stone ainda mais perfeita como Gwen Stacy, e a química entre os dois realmente compensa qualquer vacilo do filme.

 

Peter e Mary Jane foram um bom casal, mas Peter e Gwen funciona muito mais porque a Gwendy não é apenas um interesse romântico que precisa ser salva, ela é participativa, ensina ao Peter maneiras de resolver os problemas e impõe sua vontade, pois ela está ali por sua própria vontade e nada lhe fará fugir do perigo. Não é a toa que é uma personagem tão amada do universo Aranha, e a forma que Emma a trouxe à vida é impecável.

 

 

É interessante também que não só Gwendy, como até a Tia May tem uma participação na ação e dos corres do filme, ajudando no hospital durante o apagão em Nova York (mas isso não é o sinal para fazer um filme solo da tia mais famosa da Marvel, por favor!).

 

Isso é bem bonito, e ao mesmo tempo bem triste, porque todo esse brilho radiante e imponente dá espaço ao momento mais triste da história do Aranha, e que foi, especialmente pra mim, impactante de ver no cinema. O filme de 2002 fez uma referência ao clássico evento, com Mary Jane sendo jogada da ponte pelo Duende, mas aqui tivemos o bagulho de verdade: Gwen é jogada e Peter logo dispara a teia para salvá-la. Mesmo que ele consiga segurá-la, não pôde impedir que o impacto a matasse. O filme pode ter todos seus defeitos (não são poucos), no entanto essa cena em live-action era uma das coisas que mais sonhava em ver como um fanático pelas histórias do Aranha.

 

 

A morte de Gwen é um dos momentos mais importantes para o amadurecimento do Aranha e suas responsabilidades como herói, e funciona no filme de forma que toda a palhaçada do passado dos pais e Oscorp sejam deixados para trás, e o foco seja somente do ele e sua luta diária para manter a cidade mais tranquila. É engraçado ver isso hoje porque esse fato meio que ajuda o filme funcionar levemente como um fim decente para a Era de Garfield, mascarando o quanto ele foi na verdade precoce.

 

Os planos da Sony eram 4x mais altos que os da Marvel Studios e DC juntos: estava tudo armado para que no próximo filme nós teríamos nada mais nada menos do que o SEXTETO SINISTRO como grande desafio do Aranha, além do filme solo do grupo de vilões (seria ele bom ou ruim como Esquadrão Suicida?), Venom (que ainda permanece), Mulher-Aranha e todas as alternativas possíveis de arranjar mais dinheiro em cima da marca. De repente, tudo caiu por terra, e-mails vazados só confirmavam a bagunça que estava a produção desses filmes e do nada, Andrew Garfield não era mais o Homem-Aranha.

 

 

Tão abrupta quanto foi a partida de Tobey, foi a de Garfield. E mesmo que mais uma vez caiba a nós imaginar como seria um último filme do Aranha com tal ator, pelo menos as coisas foram mais positivas: anos de memes e zoações estavam encerradas, pois agora o Homem-Aranha estava no MCU e finalmente poderia zoar ao lado dos Vingadores.

 

As coisas estão indo bem, tão bem que não há tempo para lamentar pelo passado. Tom Holland está sendo um Aranha impecável, mas assim como mantemos todo o respeito pelo Aranha de Tobey, manteremos pelo Garfield e seu Aranha mais zoeiro-mas-ainda-chorão e seu ringtone do clássico tema dos anos 60. Obrigado por ser a nossa inspiração e senso de responsabilidade, Andrew. Foram breves 4 anos, mas foram anos consideráveis.

Comenta aí, Marvete!

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