Entenda qual a estratégia da Marvel com o filme do Shang- Chi

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Como já é de praxe entre os nerds, muitos deles reclamaram ontem quando noticiamos que a Marvel está fazendo um filme do Shang-Chi. Alguns disseram que a editora tinha inúmeros outros personagens mais importantes para se levar para as telonas, já outros comentaram que era um risco muito grande se adaptar um herói tão desconhecido. Acredito que os responsáveis por esses comentários tenha se esquecido de uma certa equipe formada por um dançarino espacial, uma árvore falante e um guaxinim inventor. Com o anúncio do filme, a Marvel prova estar mais antenada do que nunca.

 

Claro, a gente pode dizer que a decisão tem a ver com representatividade, afinal, a própria Vice-Presidente do estúdio já revelou que os futuros filmes da Casa das Ideias serão pautados na diversidade. Os nerds mais conservadores torceram o nariz, repetindo bordões como “Quem lacra, não lucra”. Bom, olhem vocês mesmos para a bilheteria de Pantera Negra e me digam se a Marvel “lacrada” da Marvel não deu muito certo. Logo, a aposta com o filme do Shang-Chi tem sim a ver com representatividade, mas tem mais a ver com dinheiro. Com MUITO DINHEIRO, se você for analisar os números do mercado chinês.

 

 

Hoje, a China é o mercado estrangeiro mais lucrativo no que se refere a produções de Hollywood. Não é raro que filmes que amargaram bilheterias baixas nos EUA sejam salvos pelo público chinês. Foi o que aconteceu com Warcraft, adaptação do famoso MMORPG. O longa de Duncan Jones custou US$ 160 milhões e faturou US$ 433 milhões, não po ser considerado um sucesso de bilheteria, mas também não foi o fracasso. A salavação de Warcraft foi o mercado estrangeiro, pois 89% de sua bilheteria foi conquistada fora dos Estado Unidos. O que mais impressiona é que mais da metade dessa quantia, cerca de US$ 220 milhões, veio apenas da China. O sucesso por lá foi tanto que o estúdio cogitou seriamente lançar uma continuação voltada unicamente para o público chinês.

 

Há 20 anos atrás, os estúdio se importavam apenas com o mercado doméstico, ou seja, o próprio Estados Unidos. A grana conquistada fora de lá era enxergada com uma espécie de gorjeta. O descaso era tanto, que era bastante comum alguns filmes serem lançados com meses de diferença. Enquanto lá na terra do Tio Sam eles já estavam curtindo o VHS de Independence Day, nos outros países era bem provável que o filme nem tivesse chegado aos cinemas.

 

 

Mas tudo mudou a partir do anos 2000, que foi quando diversos países emergentes começaram a contribuir bastante para a arrecadação das produções hollywoodianas. Entre eles, quem mais se sobressaiu foi a China. A principal razão disso foi o crescimento absurdo da classe média chinesa. Com isso os chineses passaram a ter mais grana para gastar com coisas supérfluas, como o cinema. Para você ter uma ideia, em 2000 apenas 4% dos chineses faziam parte da classe média, já em 2012 esse número saltou para absurdos 64%. Se levarmos em conta que atualmente o país está com mais de 1,3 bilhão de habitantes, vamos entender que os estúdios tem muito a lucrar por lá.

 

Quer dizer, já estão lucrando. Só no primeiro trimestre desse ano as vendas de ingresso em solo chinês somaram US$ 3,17 bilhões de dólares, o que faz da China hoje o maior mercado consumidor do cinema no mundo. Mas pra entrar lá, os estúdios precisam “agradar” o governo do pais. Não, não estou falando de suborno. O caso é que as produções não podem denegrir a China nem apresentar conteúdo que vá contra os valores e costumes de lá. Por exemplo, Esquadrão Suicida nem chegou a ser exibido por lá. O motivo? O filme tinha a palavra “suicida” em seu título. É sério. Então quer dizer que se a Warner Bros. quiser que Esquadrão Suicida 2 faça muita grana por lá, ela vai ter que “apenas” mudar o nome da equipe.

 

 

A própria Marvel já tentou agradar os chineses, mais de uma vez vale lembrar. A primeira foi em Homem de Ferro 3. As cópias distribuídas no país tinham 4 minutos de cenas extras que davam destaque aos médicos chineses que operaram o Tony após sua batalha com Killian. Só que o tiro saiu pela culatra. Diversos jornais de lá criticaram a forma como o país foi introduzido sem motivo algum. Já em Doutor Estranho, as alterações foram feitas por razões políticas. Nos quadrinhos do Mago Supremo, o Ansião é um sábio tibetano. Estaria tudo bem, caso no mundo real o Tibete não estivesse tentando se separar da China. A saída encontrada pela Casa das Ideias foi retratar o personagem como uma mulher celta.

 

Por mais que alguns fãs se esqueçam, estúdios são empresas. E a missão das empresas não é fazer fanservice para agradar um determinado grupo, mas sim ganhar cada vez mais dinheiro. Se olharmos dessa forma, entenderemos que faz todo sentido o anúncio do filme do Shang-Chi. Inúmeros estúdios americanos já lançaram longas situados na China, com foi o caso de Meg esse ano. O problema é que poucos deles realmente eram estrelados por atores chineses, a maioria apenas contava com eles como coadjuvantes. Ao que tudo indica, Kevin Feige pretende mudar essa história do jeito que ele sabe melhor: com um filme muito divertido e faturando muita grana.

 

 

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Muitas das informações contidas nesse texto foram tiradas do excelente vídeo do canal EntrePlanos. Vale muito a pena dar uma conferida.

 

Agora que a notícia acabou, veja um vídeo do nosso canal!

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