[CRÍTICA] Marvel Tokon: Fighting Souls – Brilhante, mas não para todos

Marvel Tokon é tecnicamente brilhante, mas exige dedicação e não é para jogadores casuais.

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Sempre que alguém menciona jogos de luta da Marvel, a primeira coisa que vem à cabeça é Marvel vs. Capcom. Para muitos de nós que crescemos nos anos 90 e 2000, aqueles jogos foram a porta de entrada para um universo que a gente só conhecia por gibis e desenhos. 

X-Men vs. Street FighterMarvel vs. Capcom 2Ultimate Marvel vs. Capcom 3… são títulos que definiram o gênero. Com a série da Capcom praticamente congelada, especialmente após aquela porcaria que foi Marvel vs. Capcom Infinite (exceto pela coletânea recente que trouxe um pouco de alívio), a Arc System Works resolveu ocupar o vazio.

E, honestamente, fez um trabalho que não só respeita o legado, mas também cria sua própria identidade. No entanto, a pergunta que não quer calar é: isso é suficiente para chamar novos jogadores e, mais importante, mantê-los?

0/8 – Adendo 

Uma coisa que deve ficar clara desde o começo é: este que vos fala é um proficiente jogador de jogos de luta ocidentais: Mortal KombatInjustice e etc. No entanto, apesar de amá-los, eu nunca me dei tão bem a ponto de ter um nível avançado com os jogos orientais como Street FighterMarvel vs. CapcomDragon Ball FighterZ e etc.

É muito provável e possível que vieses decorrentes da minha experiência e prazer com esses jogos surjam no texto, mas estou me esforçando ao máximo para fazer uma review HONESTA apesar deles.

Acima de tudo, gostaria de agradecer imensamente à equipe da PlayStation Brasil por nos ceder a cópia de MARVEL Tōkon: Fighting Souls para esta review. O acesso antecipado ao jogo foi fundamental para que pudéssemos explorar cada detalhe com calma e entregar uma análise honesta e aprofundada para vocês, leitores do Legado da Marvel.

O suporte da PlayStation Brasil à imprensa independente é algo que valorizamos profundamente – e que nos permite continuar fazendo o que amamos: trazer conteúdo de qualidade sobre o universo Marvel para os fãs brasileiros.

1/8 – A revolução do formato 4v4

A primeira coisa que chama a atenção em MARVEL Tōkon: Fighting Souls é o sistema 4v4. Ao contrário do que estamos acostumados em jogos de luta, onde cada personagem tem sua própria barra de vida, aqui todos os quatro heróis compartilham uma única barra.

A partida é disputada em melhor de cinco rounds, e o primeiro time a vencer três leva a vitória.

Isso muda completamente a abordagem. Você pode manter seu melhor lutador na linha de frente e escolher assistentes que complementem seu estilo – ou pode aprender todos os quatro personagens e alternar entre eles conforme a luta avança.

O sistema é levemente amigável para iniciantes que se satisfaçam em esmagar um botão, já que o jogo conta com combos automáticos, mas oferece profundidade suficiente para quem quer mergulhar nas camadas mais técnicas.

O detalhe mais genial, porém, é que você começa a partida com apenas dois personagens ativos (um na linha de frente e um assistente). Os outros dois precisam ser desbloqueados durante a luta – seja quebrando uma parede do cenário e “montando” o time em outras partes do estádio, seja ganhando um herói ao perder um round.

Isso não só equilibra cada partida, mas também cria uma progressão emocionante: um jogador que está perdendo de 2 a 0 pode ter acesso a todos os quatro assistentes, enquanto o líder precisa montar seu time lentamente. Cada partida é única.

2/8 – Fácil de aprender, difícil de dominar

A Arc System Works adotou uma filosofia que lembra Super Smash Bros. para os comandos: combinações simples de botões e direções executam movimentos especiais.

Eu particularmente tive e ainda estou tendo tremenda dificuldade em me adaptar a isso, já que, com frequência, eu confundo os botões dos especiais e perco meus combos.

Há comandos mais avançados para quem quiser aprender, mas, na primeira vez que você pega no controle, dois botões já são suficientes para realizar um movimento único.

Assists funcionam da mesma forma, mas segurando L2 no momento em que o assistente aparece, você pode trocar para aquele personagem e continuar o combo. “Fácil de aprender, difícil de dominar” não é apenas um clichê aqui – é a espinha dorsal do design do jogo.

3/8 – O elenco inicial e o Deadpool

O roster inicial de 20 personagens é muito pequeno se comparado a Marvel vs. Capcom 3 (que tinha 36 de fábrica), mas essa escolha tem um propósito: equilíbrio. Novatos têm um grupo mais gerenciável de matchups para aprender, enquanto veteranos podem encontrar seus favoritos rapidamente e focar em aprimorar suas habilidades.

Mas, a nível pessoal, eu não creio que isso faça diferença real para os novatos, já que o jogo continua difícil pra um caralho de jogar e de executar. Talvez tendo uma seleção de personagens mais diversa, isso estimulasse novos jogadores a permanecer no jogo, visto que teria a presença do seu herói ou vilão favorito.

O elenco mistura favoritos esperados (Capitão AméricaHomem de FerroHulkMagneto e Doutor Destino) com adições surpreendentes como CarnificinaSenhor das EstrelasBlade e Loki, todos estreando em jogos de luta da Marvel.

A escolha mais obscura é Perigo, a sala de treinamento dos X-Men que se tornou senciente. Sim, eu também não sabia disso até jogar.

Deadpool, porém, merece um parágrafo separado.

A forma como a Arc System Works incorporou sua quebra da quarta parede é uma aula magistral. Cada partida tem momentos que me fizeram apontar para a tela feito um meme.

Algumas referências são óbvias (sim, a lança do Scorpion de Mortal Kombat está ali), mas outras são profundas – duvido que muitos novatos conheçam Kaiser Knuckle, mas se virem aquela pose do Deadpool e pesquisarem, a missão da Arc System Works está cumprida.

Inclusive, tem um vídeo no YouTube detalhando os 106 Easter Eggs escondidos no Kit do Deadpool – e ainda periga ter mais do que esses.

4/8 – A direção de arte: um espetáculo visual

Se tem uma coisa que a Arc System Works acertou em cheio, foi a direção de arte. 

MARVEL Tōkon: Fighting Souls é, visualmente, de cair o cu da bunda. Os personagens têm designs originais que conseguem equilibrar a estética inspirada em animes com a identidade clássica dos quadrinhos.

Cada herói e vilão parece ter saído diretamente de uma ilustração de luxo, com cores vibrantes, traços marcantes e animações fluidas que fazem jus à reputação do estúdio.

A cereja do bolo, porém, está nos Modos Episódios. Cada uma das cinco campanhas é escrita e ilustrada por uma equipe de quadrinistas diferente da Marvel, dando a cada história uma identidade visual única.

E adivinhe quem ilustrou a campanha mais foda do jogo, a dos vilões? 

Nosso orgulho brasileiro, Mike Deodato . O cara simplesmente escolheu a melhor campanha para botar seu traço pesado e realista, e o resultado é de tirar o fôlego. Ver o trabalho de um dos maiores ilustradores do mundo em um jogo de luta é um presente para os fãs de quadrinhos.

A direção de arte como um todo eleva o jogo a um patamar que poucos títulos do gênero alcançam. Não é sobre lutar, é imergir-se em um universo que parece vivo, respeitoso com as HQs e, ao mesmo tempo, ousado o suficiente para criar sua própria linguagem visual.

5/8 – Recolors, efeitos visuais e o Sound Design que ficou devendo

Além dos designs principais, a Arc System Works caprichou nos Recolors. Não tem nenhum slot de cor alternativa que pareça desperdiçado – todas as paletas são referências diretas a algo relacionado ao herói ou ao contexto em que ele se insere.

Seja uma homenagem a uma fase específica dos quadrinhos, seja um aceno a uma aparição icônica em outras mídias, nenhuma escolha parece aleatória ou preguiçosa. É um cuidado que demonstra respeito pelo material original e pelos fãs.

As animações dos poderes e das lutas estão sensacionais.

Os efeitos visuais, então, são um espetáculo à parte – especialmente os do Homem de FerroCarnificina e Perigo. Cada golpe, cada explosão, cada partícula na tela parece ter sido desenhada com uma atenção aos detalhes que poucos jogos do gênero conseguem alcançar.

Minha única reclamação é não ter um Sound Design que acompanhe esse espetáculo. O Sound Design é funcional, mas infelizmente, não passa disso. Falta até o que falar.

No entanto, que fique claro que a Trilha Sonora desse jogo é uma OBRA-PRIMA, um espetáculo a parte. Essa sim merece todos os elogios possíveis.

Não obstante, cada personagem no jogo tem uma música tema e cada música foi escrita com fogo. Assim, elas combinam com a personalidade, com a estética e com tudo do personagem. Meu destaque principal fica com o tema do Carnificina, vou deixar o link aqui pra vocês ouvirem.

6/8 – Modos single-player e conteúdo para casuais

O jogo oferece várias formas de jogar, tanto no single-player quanto no multiplayer.

O modo Episódios conta cinco histórias diferentes, uma para cada um dos times do jogo, cada uma ilustrada por um artista diferente. Cada campanha leva cerca de uma hora para ser completada. A All-Star Arena oferece uma experiência de “arcade” tradicional e um modo Survival de até 100 batalhas.

O modo Arcadia Rumble é a maior novidade: partidas em uma arena pequena onde os jogadores coletam itens para ganhar pontos e fortalecer seus personagens. É divertido em pequenas doses, durante 5 minutos, e funciona bem como um modo party, mas a busca por itens parece um pouco desnecessária. No fim, é encher linguiça com vento.

No entanto, é aqui que começa o problema. Comparado a títulos como Street Fighter 6, que entregou um modo World Tour robusto e repleto de conteúdo para jogadores casuais, MARVEL Tōkon peca feio no single-player.

Depois de terminar as cinco campanhas, que são curtas, as opções para quem não quer encarar o online são praticamente inexistentes. O modo Survival é chatinho, não tem recompensas que incentivem a rejogabilidade e não oferece nada de realmente diferente. É funcional, mas entediante.

Isso tudo somado ao preço salgado de R$340,00 complica um pouco para os fãs em terras brasileiras.

7/8 – O caos do online e a versão problemática do PC

E aí você decide: “vou tentar o online”. E aí, meu parceiro, você vai ser espancado, esmagado e esmirilhado de 500 formas diferentes. Nisso o jogo é autêntico e jamais fica repetitivo, você sempre apanha de formas únicas.

Os “novos” jogadores que vêm de Dragon Ball FighterZ com a memória muscular dos combos já dominaram as quatro assistências. Eles não te espancam com um personagem, eles te espancam com quatro ao mesmo tempo, e você não consegue sequer entender o que fez de errado.

Não venham me dizer que eu tô chorando de barriga cheia. Eu passei muitas horas no campo de treinamento com o Homem-Aranha e o Wolverine. Quando fui experimentar o online, eu não tive nem como começar. A curva de aprendizado é brutal, e o jogo não faz nada para suavizar essa transição para novatos.

O online tem todos os recursos esperados: partidas ranqueadas, casuais, lobbies privados e um lobby aberto com avatares chibi. A conexão é forte graças ao rollback netcode, e raramente vi problemas técnicos no PS5.

A versão PC, no entanto, é outra história. O lançamento foi desastroso: problemas de conexão, gameplay instável tanto online quanto offline. Patches já foram lançados, mas os problemas iniciais não podem ser ignorados. Até que sejam totalmente resolvidos, a experiência no PC será muito diferente.

8/8 – O veredito

MARVEL Tōkon: Fighting Souls é um jogo de luta tecnicamente brilhante, visualmente deslumbrante e inovador no que se propõe. Mas ele não é para todo mundo.

Se você é um veterano de Dragon Ball FighterZ ou de jogos orientais, vai encontrar aqui um dos melhores tag fighters já feitos. Se você é um jogador casual que só quer se divertir com seus heróis favoritos, prepare-se para um desafio – e talvez para a frustração de não ter muito o que fazer depois da campanha.

A Arc System Works entregou um jogo que respeita o legado da Marvel e dos jogos de luta, mas pecou ao esquecer que nem todo mundo quer ser um campeão de EVO.

Às vezes, a gente só quer sentar no sofá, escolher o Deadpool e sair batendo nos outros sem pensar muito. E, nesse aspecto, MARVEL Tōkon ainda tem um longo caminho a percorrer.

E aí entra o elefante na sala: o preço. R$ 340 no Brasil é um valor que exige justificativa. O jogo entrega um combate refinado e um visual espetacular, mas deixa a desejar no conteúdo que sustentaria o jogador casual por mais de algumas horas. Terminar as cinco campanhas curtas e encarar um Survival chato não é exatamente um convite para ficar.

No fim das contas, você vai comprar? Depende de quanto você está disposto a pagar por uma experiência que é metade espetáculo visual, metade teste de resiliência.

E aí, o que você achou da review? Já jogou MARVEL Tōkon ou ainda está esperando uma promoção? Conta pra gente nos comentários e continue acompanhando o Legado da Marvel para mais análises e novidades.

Victor Palácio
Sou designer, editor, game designer e escritor movido por curiosidade, humor e caos criativamente organizado. Gosto de dar vida a ideias, criar mundos, contar histórias, me aprofundar nos tópicos mais improváveis e transformar qualquer projeto em algo que tenha alma. Trabalho com seriedade, mas sempre deixo espaço para experimentação e autenticidade.
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