Vingadores: Doomsday finalmente faz o que Ultimato deixou passar

Vingadores: Ultimato

Sete anos depois de Vingadores: Ultimato, a Marvel parece pronta para encarar uma pendência antiga. Vingadores: Doomsday ainda está longe da estreia, mas o que já foi apresentado deixa claro que o estúdio aprendeu uma lição importante — e que talvez tenha demorado mais do que deveria.

Desde Ultimato, o MCU lançou dezenas de projetos, apresentou novos heróis e expandiu seu universo em várias direções. Ainda assim, muita gente sentiu a mesma coisa: faltava conexão emocional. Faltava aquela sensação de continuidade real, de passagem de bastão feita com calma, peso e propósito. E é exatamente aí que Doomsday começa a acertar.

Logo nos primeiros materiais divulgados, o foco não está apenas em ameaças maiores ou em efeitos mais grandiosos. A ideia central gira em torno de legado. De quem veio antes. E, principalmente, de quem vem depois.

Os teasers deixam isso bem claro. Steve Rogers surge ligado à figura de um filho, não mais apenas como símbolo, mas como alguém que deixou algo para trás. Thor aparece dividido entre a batalha e o desejo de voltar para casa, para estar presente na vida da filha adotiva. Até o arco dos X-Men, apresentado como parte essencial desse novo capítulo, reforça a noção de continuidade, não de substituição.

Esse é um contraste direto com Vingadores: Ultimato. O filme foi gigantesco, emocionante e histórico — disso ninguém discute. Mas ele estava muito mais preocupado em encerrar histórias do que em preparar o terreno para as próximas. Tony Stark e Peter Parker tiveram uma relação forte, mas curta demais. A entrega do escudo de Steve para Sam Wilson aconteceu rápido, quase como uma formalidade. Tudo funcionou no impacto imediato, mas deixou lacunas no longo prazo.

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Vingadores: Ultimato parece consciente disso. A proposta, ao menos até agora, é diferente. Em vez de apresentar novos heróis soltos no universo, o filme tenta amarrá-los diretamente às figuras fundadoras do MCU. Não como sombras, mas como herdeiros. Pessoas que carregam consequências, expectativas e conflitos que não começaram com elas.

Isso importa porque o MCU sempre foi mais do que filmes isolados. O que fez o público se envolver por mais de uma década foi a sensação de estar acompanhando uma grande história contínua, com fios que se cruzam, personagens que evoluem juntos e escolhas que ecoam por anos.

Depois de um período irregular, Doomsday surge como uma tentativa clara de reconstruir esse tecido narrativo. Talvez tarde. Talvez com riscos. Mas necessária.

Se conseguir equilibrar espetáculo com relações humanas — algo que os próprios teasers prometem — o novo filme pode não apenas corrigir um detalhe deixado para trás por Ultimato, mas também recolocar o MCU nos trilhos emocionais que o tornaram tão relevante.

No fim das contas, não é só sobre salvar o mundo outra vez. É sobre garantir que ainda exista um amanhã interessante para contar.

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