Thor e Liga enfrentam Pixar e Extraordinário em duelo forte nas bilheterias

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O último dia 23/11 foi um dos feriados mais importantes dos Estados Unidos, o Dia de Ação de Graças (ou Thanksgiving, no original) – e, com ele, um dos períodos mais movimentados do ano nos cinemas. A Disney sabe do valor que o feriado tem para seus filmes: desde A Bela e a Fera, lançado lá no longínquo 1991, que a Casa do Mickey aproveita o Thanksgiving para lançar algum filme novo, seja ele uma de suas animações (incluindo os hits Aladdin, Enrolados, Frozen e Moana), um filme novo da Pixar (os dois primeiros Toy Story, Vida de Inseto, O Bom Dinossauro) e, em algumas ocasiões, alguma comédia familiar em live action (101 Dálmatas em 1996, Encantada em 2007).

 

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Em 2017, foi a vez da Pixar ocupar esse horário nobre da Disney com Viva: A Vida é Uma Festa, uma animação que tem como pano de fundo a cultura mexicana. O desenho foi recebido com uma aclamação que a Pixar não via desde pelo menos Divertida Mente, em 2015, com 96% de aprovação dos críticos no Rotten Tomatoes e uma rara nota máxima A+ no CinemaScore, que mede a receptividade da audiência a determinado longa. Com isso, ele rendeu US$ 50,8 milhões no fim de semana e US$ 72,9 milhões ao longo do feriado, a quarta melhor estreia de Ação de Graças de todos os tempos, atrás apenas das aberturas de Frozen, Moana e Toy Story 2.

 

Toda essa excelente recepção de Viva: A Vida é Uma Festa não é lá uma notícia muito boa para os dois filmes de super-heróis em cartaz no momento, Thor: Ragnarok e, principalmente, Liga da JustiçaO filme da DC, claro, é o que mais precisa de ajuda nesse momento, depois de sua horrenda abertura na semana passada. Para ser justo, o longa de Zack Snyder (e Joss Whedon) teve um desempenho relativamente dentro do que os analistas estavam esperando para o feriado: US$ 41 milhões no fim de semana e cerca de US$ 60 milhões entre quinta e domingo. No total, Liga já tem quase US$ 172 milhões.

 

 

Tais resultados… bem, não são horríveis como os da semana passada. Como dito, ficaram bem dentro do previsto e, além disso, o longa teve uma queda de “apenas” 56,2% entre a estreia e esta semana, o que é menos do que as quedas de 67%-69% que Batman vs Superman e Esquadrão Suicida enfrentaram. Claro, o longa caiu mais que os três últimos filmes da franquia Jogos Vorazes e Animais Fantásticos e Onde Habitam, que, tal como Liga, abriram no fim de semana antes do Dia de Ação de Graças e tiveram quedas entre 39% e 53% na segunda semana. Por outro lado, Liga teve uma queda menor que Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 e os filmes da série Crepúsculo que abriram em novembro. Todos eles caíram mais de 60% na segunda semana, denotando que os fãs correram para conferi-los na estreia, levando a quedas posteriores imensas.

 

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Para a alegria dos fãs da DC, não é bem isso o que está ocorrendo aqui. O desempenho de Liga nesse Dia de Ação de Graças, se não foi o bastante para apagar a luz vermelha, também conseguiu acender uma pequena vela de esperança de que o longa talvez não seja um flop tão gigantesco. Neste ponto, um total entre US$ 235 milhões e US$ 250 milhões ainda é possível, o que seria um resultado final superior aos decentes US$ 234 milhões faturados por Animais Fantásticos e Onde Habitam.

 

 

Aliás, o spin-off de Harry Potter do ano passado é a maior esperança que os fãs da DC possuem de um resultado minimamente digno para Liga. Explico: quando a fantasia estrelada por Eddie Redmayne estreou com com US$ 74,4 milhões, todos os analistas não se demoraram a escrever análises apocalípticas, declarando o fim prematuro da saga do magizoologista Newt Scamander. Mas nas semanas seguintes, o filme teve ótima sustentação e saiu de cartaz com os US$ 234 milhões citados acima – o que é mais do que os US$ 232 milhões de Doutor Estranho, apesar de este longa do MCU ter estreado com cerca de US$ 10 milhões a mais que Animais Fantásticos. Ou seja, apesar da estreia fraca, o público demonstrou interesse no filme e compareceu em bons números nos dias seguintes, o que certamente deve ter deixado os executivos da Warner com a cabeça mais fresca na hora de autorizar suas próximas quatro (!) sequências. Da mesma forma, caso Liga se segurar bem nas próximas semanas (como o fez nesta), isso pode ajudar a melhorar um pouco a imagem do filme, demonstrando que ele agradou ao público, o que sempre ajuda na hora de pensar em continuações. Afinal, não é assim que Hollywood funciona há mais de cem anos? 🙂

 

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No caso de Animais Fantásticos, foi decisivo também o apoio da audiência de fora dos EUA, que o levou a ter um total global de excelentes US$ 814 milhões. Similarmente, Liga também está tendo um desempenho decente na bilheteria mundial, o que é um sinal encorajador, ainda que não totalmente um alívio. Mas entraremos em mais detalhes sobre isso logo abaixo. Claro que, por outro lado, Animais Fantásticos tinha uma vantagem que Liga não possui: o apoio da crítica.

 

 

Enquanto isso, Thor: Ragnarok continua mandando muito bem. O longa faturou mais US$ 16,8 milhões, para um total de US$ 277,6 milhões nos Estados Unidos. A queda entre os resultados de semana passada e o desta foi de módicos 22,2%, o que é quase igual às quedas experimentadas pelos dois filmes de novembro anteriores da Marvel, Thor: O Mundo Sombrio e Doutor Estranho, nos feriados de Ação de Graças de seus respectivos anos. O longa ocupou a quarta posição no fim de semana, que poderia ter sido a terceira se não fosse a assustadora performance do drama familiar Extraordinário, estrelado por Jacob Tremblay e Julia Roberts, que tem incomodado os grandes blockbusters de heróis mais do que seria possível prever até o mês passado.

 

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A competição dos estúdios pela atenção do público jovem e familiar tem sido extremamente acirrada neste período: pais podem estar preferindo levar suas crianças ao novo e aclamado filme da Pixar, ou a um drama sensível sobre bullying como Extraordinário, ou mesmo para uma comédia familiar como Pai em Dose Dupla 2, ao invés do “milésimo” filme de super-herói do ano. Talvez isto inclusive esteja contribuindo para que o público acima dos 25 anos de idade esteja comparecendo a Thor e Liga em proporções maiores do que o normal para filmes de heróis, considerando que, para os adultos, é ou isso ou dramas sombrios e maduros que nem sequer estão em exibição em todo o país, como Roman J. Israel, Esq. e Três Anúncios para um Crime (no caso da Warner, isso é desesperador, já que é justamente o público jovem que tem dados as maiores notas para Liga no CinemaScore).

 

 

Ragnarok, portanto, tem enfrentado violenta concorrência nas bilheterias, provavelmente até mais do que O Mundo Sombrio e Doutor Estranho – e tem se saído melhor que os dois. Veja bem: ao chegar no Dia de Ação de Graças, os três filmes do MCU viram suas bilheterias caírem para a casa dos US$ 10 milhões. No entanto, a primeira continuação do Deus do Trovão e a estreia do Feiticeiro Supremo foram obrigados a assistir de longe o novo desenho da Disney batalhar contra a segunda semana de algum blockbuster (respectivamente, Jogos Vorazes: Em Chamas e Animais Fantásticos), que acabariam tendo um faturamento maior do que eles próprios. Por sua vez, os filmes da Marvel se resignariam a defender suas posições contra comédias adultas e dramas independentes cujo maior objetivo era fazer barulho na temporada de premiações. Ragnarok não: seu faturamento no Dia de Ação de Graças foi superior ao de ambos O Mundo Sombrio e Doutor Estranho (US$ 11 milhões e US$ 13,7 milhões para os longas de Alan Taylor e Scott Derrickson, respectivamente), mesmo contra concorrência mais forte do que a deles dois, conforme detalhei acima. Combine esta ótima sustentação com uma estreia recordista e você tem a receita para o maior sucesso da Marvel de novembro.

 

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Em 2013 e 2016, o filme da Marvel acabou derrotado pela animação da Disney e pelo blockbuster da semana anterior ao Thanksgiving na batalha pela supremacia do mês. Em 2017, o filme da Marvel certamente será a maior bilheteria de novembro. Seja como for, o pior para Ragnarok já ficou para trás. O filme ainda terá outras duas semanas sem nenhum blockbuster estreando pela frente até a chegada do aguardadíssimo Star Wars: Os Últimos Jedi, em 15 de dezembro. Até lá, a comédia dirigida por Taika Waititi provavelmente será o sexto filme em 2017 a passar da marca dos US$ 300 milhões na bilheteria americana.

 

Liga se recupera pelo mundo, enquanto Ragnarok deixa Guardiões da Galáxia para trás

 

Até 2012, não era absurdo dizer que os heróis da DC faziam mais sucesso com o público americano do que com o estrangeiro. Praticamente todo blockbuster do estúdio até então, do megahit Batman: O Cavaleiro das Trevas ao desastre Lanterna Verde, havia feito mais da metade de sua bilheteria global dentro dos EUA, o que costuma ser relativamente raro hoje em dia. Mas isso começou a mudar com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e O Homem de Aço, cuja divisão global foi entre 41% e 43% nos EUA respectivamente, e foi amplificado com Batman vs Superman: A Origem da Justiça, o primeiro filme de grande escala da DC a fazer mais de 60% de sua bilheteria global fora dos Estados Unidos.

 

Agora, a Warner tem que agradecer de joelhos ao público estrangeiro, que está salvando Liga da Justiça de ser um desastre de proporções ainda maiores. Com os resultados deste fim de semana, o longa estrelado por Henry Cavill, Ben Affleck e Gal Gadot chegou aos US$ 311 milhões de faturamento no mercado internacional, e agora soma US$ 482,9 milhões na bilheteria global. O filme abriu neste fim de semana no último grande mercado que estava marcado para recebê-lo, o Japão, e lá rendeu decentes US$ 3,8 milhões na abertura. Trata-se de um resultado 14% superior à estreia de Mulher-Maravilha e 7% acima da de Thor: Ragnarok no país, ainda que seja igual a que Batman vs Superman conquistou por lá no ano passado.

 

 

Na China, Liga rendeu mais US$ 15,8 milhões, e agora tem lá um total acumulado de bons US$ 85 milhões – se não cair feito pedra nos próximos dias, então ainda tem uma boa chance de passar dos US$ 100 milhões no gigante oriental. Por outro lado, tal como nos EUA, Liga teve de ceder o topo das bilheterias chinesas para Viva: A Vida é uma Festa, que estreou por lá com US$ 18,2 milhões, a segunda maior estreia para uma animação da Disney na China, atrás de Zootopia: Essa Cidade é o Bicho.

 

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Naquele país, os filmes da Pixar dificilmente conseguem conquistar os mesmos resultados colossais que alcançam nos EUA e no restante do mundo, porém Viva tem atingido os corações do público chinês de uma maneira surpreendente. Segundo fontes locais, a reação nas mídias sociais chinesas ao filme tem sido absurdamente positivas, e a audiência tem se emocionado com a história – o que, claro, ajudou a chutar Liga do topo das bilheterias de lá. Tem hora que a falta de sorte da Warner chega a ser hilária…

 

 

Mas ao menos os irmãos Warner podem se consolar com o fato de que, na América Latina, Liga ainda tem tido um ótimo desempenho. O Brasil e o México são respectivamente o terceiro e o quarto dentre os maiores mercados para o filme (atrás de EUA e China), seguidos pelo Reino Unido e a Coréia do Sul. Na França, Liga se segurou na primeira posição enfrentando um título local, e na Rússia e na Itália o filme já superou a bilheteria final de Mulher-Maravilha.

 

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Thor: Ragnarok tem prosseguido sua excelente carreira no mercado internacional. O longa de Taika Waititi soma agora US$ 513,8 milhões fora dos EUA, atualmente a segunda maior bilheteria internacional para um filme de heróis, atrás apenas de Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Com isso, Ragnarok agora possui uma bilheteria global de US$ 791,5 milhões, superando os US$ 773 milhões de Guardiões da Galáxia para se tornar a sétima maior bilheteria global do MCU (e segunda para um filme sem Tony Stark, atrás de Guardiões da Galáxia Vol. 2).

 

 

O filme tem feito sucesso especialmente na Europa. Lá, Ragnarok conquistou US$ 152 milhões com as bilheterias somadas de todos os países do continente europeu, um total superior ao conquistado por outros filmes do MCU, como Capitão América: O Soldado Invernal, Doutor Estranho, De Volta ao Lar e seu antecessor na franquia do Deus do Trovão, O Mundo Sombrio. Aliás, na Europa Central e Oriental, Thor: Ragnarok já é a maior bilheteria de todos os tempos para um filme de super-heróis!

 

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Considerando apenas as bilheterias de países individuais, seus maiores mercados afora os Estados Unidos são China (US$ 110,4 milhões), Reino Unido (US$ 38,6 milhões), Coréia do Sul (US$ 34,3 milhões), Brasil (US$ 29,2 milhões) e Austrália (US$ 24 milhões). Nas próximas semanas, Ragnarok deve passar a bilheteria global de Mulher-Maravilha (US$ 821,8 milhões), embora talvez tenha um pouco mais de dificuldade em alcançar Guardiões da Galáxia Vol. 2 (US$ 863,6 milhões).

 

 

Confira as bilheterias nos Estados Unidos do último fim de semana:

 

Bilheteria EUA de 24/11/17 a 26/11/17:

 

Filme Semanas em cartaz Renda no fim de semana (em US$) Renda acumulada (em US$)
1- Viva: A Vida é Uma Festa 1 50.802.605 72.908.930
2- Liga da Justiça 2 41.090.491 171.903.874
3- Extraordinário 2 22.674.238 69.807.297
4- Thor: Ragnarok 4 16.863.294 277.650.571
5- Pai em Dose Dupla 2 3 13.217.419 72.636.870
6- Assassinato no Expresso do Oriente 3 13.170.932 74.364.192
7- A Estrela de Belém 2 6.930.919 22.088.115
8- Perfeita é a Mãe! 2 4 4.895.568 59.645.610
9- Roman J. Israel, Esq. 2 4.447.070 6.201.114
10- Três Anúncios Para um Crime 3 4.403.003 7.614.532

 

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